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Para que serve o Natal?

Estamos em pleno período de Natal, com festas, jantaradas, cânticos e hossanas, prendas e prendinhas, carradas de boas intenções e votos – muitos votos – de Paz, Amor e Felicidades.

Tudo isto é muito lindo, enternece e aquece os corações.

No entanto, daqui a dias, quando se desfizerem os presépios, as luzes se apagarem e as digestões estiverem devidamente regularizadas, pouco – ou mesmo nada – restará.

Há que reconhecer que este período natalício, de abertura do coração aos outros, começou muito bem e vem prosseguindo num crescendo de mobilização de consciências e vontades.

Ai o carinho das grandes superfícies!!!

Apraz-nos registar o carinho das grandes superfícies de distribuição alimentar, para com os desvalidos da fortuna, que, apesar de durante todo o ano se verem forçadas, pelas leis sagradas da concorrência, a esmifrar os consumidores, acumulando pornográficos lucros, se deixaram captar pelo espírito natalício e vêm promovendo, com a prestimosa colaboração dos seus clientes, campanhas de distribuição de fundos pelos necessitados.

Também as instituições de solidariedade social intensificam as suas atividades benemerentes, na sua função de suprimento das debilidades estruturais de um Estado Social, cada vez mais “esquecido” pela política dos interesses, dominante no “centrão político”, que nos vem (des)go- vernando, desde há dezenas de anos.

As empresas, todas caridosas

Aqui e ali têm-se vistos empresas, a promoverem-se, gratuitamente(?), na comunicação social, a anunciar a concessão de bónus de final de ano aos seus trabalhadores (normalmente apelidados de colaboradores), ao mesmo tempo que atenuam a sua má consciência da farta exploração durante a restante parte do ano.

O bem-fazer das autarquias, meu Deus!

As autarquias também assumem, naturalmente, o seu papel benfazejo, e é um encanto ver o corrupio dos seus funcionários, neste período, a calcorrearem veredas e a baterem à porta dos carenciados, levando-lhes a boa nova do cabaz natalício.

Queridos 240 euros…

Finalmente, o nosso querido Governo, assumiu também ele, do alto da sua colina majestática, a condição caridosa, lançando às mão estendidas dos desgraçados da fortuna umas migalhas que sobram das contas certas, amealhadas na laboriosa função de aproveitamento das virtualidades da inflação, que, apesar de ser uma coisa péssima para os cidadãos, é, pelo contrário, um maná para os cofres do Estado.

(Enfim. É preciso que alguma coisa mexa, para que tudo fique na mesma. Ou pior).

Por Álvaro Neto

Editorial de hoje de “Gazeta de Paços de Ferreira” in

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